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. A HERANÇA DE SÓCRATES (I)...
Artigo publicado na edição do Jornal da Madeira de 9 de Maio de 2012
1. Questão prévia
As críticas sistemáticas e recorrentes à actuação do Presidente da República e as campanhas movidas contra ele só são entendíveis se tivermos em conta que o Professor Aníbal Cavaco Silva não é “de esquerda” e nada tem a ver com a maçonaria. É que a “esquerda” e a maçonaria, na esteira da tradição republicana, consideram a Presidência da República um feudo próprio. Daí que, a seus olhos, o Prof. Cavaco Silva seja visto como uma espécie de intruso na mais alta magistratura da Nação. Os seus mandatos devem ser denegridos e contestados com o duplo objectivo de ensombrar e enfraquecer a presidência “de direita” e, por via disso, demonstrar os riscos de o Povo português voltar a pôr em Belém um candidato da “direita”, advogando, em contraponto, a necessidade de o próximo Presidente ser de esquerda e ter o beneplácito da maçonaria. Neste afã, a “esquerda” e a maçonaria têm a preciosa ajuda de uma comunicação social que é maioritariamente de “esquerda” e a cumplicidade de analistas e comentadores políticos que, na sua maioria, também são de “esquerda”, sendo que os poucos “de direita” sofrem do crónico complexo de não assumirem as suas convicções políticas.
Assim, as críticas, comentários e campanhas contra o actual Presidente não são dirigidos ao cidadão Aníbal Cavaco Silva, mas ao facto de ele ser considerado “de direita” e, sobretudo, ao facto de escapar de todo à influência da maçonaria.
2. Desonestidade intelectual
No passado recente, vem-se generalizando uma prática eticamente inaceitável, que está a ter efeitos perversos na formação da opinião pública portuguesa e a pôr em causa os fundamentos da democracia. Consiste tal prática – levada a cabo por jornalistas, comentadores e analistas – em retirar frases do respectivo contexto, transformá-las em sound bites e permitir que tais frases sejam comentadas e glosadas de forma delirante, conduzindo a conclusões que não têm qualquer correspondência com o contexto em que tais frases foram proferidas. Tal método está a ser utilizado não só contra o Presidente da República, mas também contra o Primeiro-Ministro e o governo. Quem tomou a atitude honesta de ler o texto integral das declarações do Primeiro-Ministro sobre a eventualidade de professores portugueses irem leccionar para as ex-colónias? Quem conhece o teor integral e o contexto das declarações do Primeiro-Ministro quando este recomendou, numa escola, que os alunos e seus pais não fossem piegas? Quem ouviu, viu ou leu o teor integral das declarações do Presidente da República sobre a questão da redução das pensões de aposentação? Quem leu, na íntegra, o prefácio de “ROTEIROS VI”, escrito pelo Presidente da República?
Os fazedores de notícias retiram as frases do contexto e lançam-nas para a opinião pública através das televisões, rádios, jornais e edições on-line . Os mesmos jornalistas repetem-nas em entrevistas e comentários e os comentadores e analistas tomam-nas como se elas representassem o todo das declarações feitas e discorrem sobre elas com comentários, extrapolações e processos de intenção que já nada têm a ver com a vontade real e o pensamento dos declarantes. Depois, os utilizadores das redes sociais enchem-nas de comentários, anedotas, provocações, caricaturas e ordinarices e até inventam jogos ridicularizando os seus autores. De seguida, como se tudo isto não bastasse, há canais televisivos, que, em horário nobre, amplificam para o público em geral essas “pérolas” recolhidas das redes sociais.
Esta prática é reveladora de uma condenável falta de honestidade intelectual (e política) e corresponde a uma lamentável forma de manipulação dos cidadãos, que nada tem a ver com as boas práticas deontológicas, nem com as mais elementares regras e exigências da vida democrática.
3. Os Roteiros do Presidente
Como é sabido, o Presidente Cavaco Silva substituiu as “presidências abertas” dos seus antecessores Mário Soares e Jorge Sampaio por roteiros temáticos. “Roteiros” é, pois, o nome escolhido pelo Presidente para designar as suas digressões pelo país à volta de um tema de interesse nacional e serve de título à publicação em que reúne, por grandes temas, os discursos pronunciados nos mais diversos eventos em que participa ao longo de cada ano de mandato, nomeadamente os proferidos durante os chamados “Roteiros”. Como anexos, são também publicadas as declarações sobre diplomas aprovados pela Assembleia da República, mensagens ao Parlamento em caso de não promulgação de diplomas, comunicados da Presidência e artigos de opinião. Cada volume de “Roteiros” contém um prefácio em que o Presidente da República caracteriza e avalia a sua acção no ano de mandato a que o mesmo respeita.
Recentemente, o Presidente deu à estampa o “ROTEIROS VI”, respeitante ao sexto ano de mandato como Presidente da República. Na linha das edições anteriores, o “ROTEIROS VI” apresenta um prefácio em que o Presidente analisa e avalia a sua actuação num dos períodos mais difíceis e conturbados da sua alta magistratura e também da vida política portuguesa depois 25 de Abril de 1974.
4. O prefácio de “ROTEIROS VI”
Para quem se dê ao gosto e ao proveito de ler integralmente o Prefácio de “ROTEIROS VI”, verificará que a linha matricial do texto escrito pelo punho do Presidente é uma profunda reflexão sobre os poderes presidenciais, sobre a lealdade e transparência que devem caracterizar as relações entre o governo e o Presidente e sobre a maneira como o Presidente exerceu a sua magistratura no contexto de crise em que decorreu o seu sexto ano de mandato. Com a superficialidade - e maldade - com que certos políticos, analistas, comentadores e jornalistas lêem os textos sobre que opinam, apenas atraiu a sua atenção um parágrafo das dezanove páginas por que se estende o prefácio de “ROTEIROS VI”. Eis o que escreveu o Presidente no 1º § da pág. 19 do prefácio em análise:
“O anúncio do «PEC IV» apanhou-me de surpresa. O Primeiro-Ministro não me deu conhecimento prévio do programa, nem me tinha dado conta das medidas de austeridade orçamental que o Governo estava a preparar e da sua imprescindibilidade para atingir as metas do défice para 2011, 2012 e 2013. Pelo contrário, a informação que me era fornecida referia uma situação muito positiva relativamente à execução orçamental nos primeiros meses do ano. O Primeiro-Ministro não informou previamente o Presidente da República da apresentação do Programa de Estabilidade e Crescimento às instituições comunitárias. Tratou-se de uma falta de lealdade institucional que ficará registada na história da nossa democracia. O Presidente da República, nos termos constitucionais, deve ser informado acerca de assuntos respeitantes à condução da política interna e externa do País”.
Este parágrafo foi retirado do contexto e com base nele levantou-se um enorme clamor contra o Presidente por parte daqueles que se especializaram em criticá-lo pelas razões já expostas anteriormente.
5. Teor das críticas dirigidas ao Presidente e sua refutação
As críticas ao texto do Presidente, truncado e descontextualizado, desenvolveram-se em três níveis:
a) O da inoportunidade temporal;
b) O da subjectividade e intencionalidade da crítica, com efeitos divisionistas junto do povo português, em momento de crise;
c) O de ter unido o PS, quando este se encontrava dividido entre socráticos e seguristas, obra que Seguro jamais conseguira.
Em minha opinião, nenhuma destas críticas procede.
Um dos pontos fulcrais do prefácio de “ROTEIROS VI” é aquele em que o Presidente analisa a crise política de 2011, de pág. 17 a 27. Como respeitar a verdade histórica sem referir e caracterizar o comportamento do então primeiro-ministro, sendo que residiu neste a principal causa da crise? Só quem não conhece o Presidente é que poderia supor que, por motivos de conveniência política ou outros, ele deixaria de relatar os factos tal como estes se passaram e deles tirar a devida lição. E se um dos traços marcantes do texto do Presidente é o do relacionamento institucional entre o Presidente e o primeiro-ministro, como poderia ele ter deixado de chamar a atenção para o dever constitucional de lealdade entre o primeiro-ministro e o Presidente? Ocultá-lo, seria pedir ao Presidente que fosse incoerente com as suas próprias convicções éticas e de leitura da Constituição.
Alguns quiseram ver no referido parágrafo um acerto de contas entre o Presidente e o antigo primeiro-ministro, com efeitos divisionistas junto do povo português. Esquecem-se de que o Presidente, que tem a confiança renovada dos portugueses, não se guia por intuitos de vindicta ou révanche, tendo como único critério de actuação a defesa intransigente do interesse nacional?! E como pode a valoração ética de um facto público e notório, que prejudicou gravemente o País e os portugueses, gerar divionismo entre os portugueses? Não foram estes que, através do voto e numa maioria de mais de dois terços dos eleitores, negaram a reeleição do candidato do PS a primeiro-ministro? O Presidente da República não dividiu os Portugueses. Escrevendo sobre a verdade daquilo que se passou e do seu significado no plano ético-político, o Presidente apenas irritou os poucos seguidistas e saudosistas do socratismo, os que foram cúmplices dele e beneficiaram da sua governação desastrosa. Também vieram ao de cima o inconformismo e o desconforto dos que, por razões ideológicas ou pela sua pertença a associações secretas, nunca viram com bons olhos o actual Presidente da República.
Por fim, alguns caíram no ridículo de acusar o Presidente de ter unido o PS, quando este se encontrava dividido entre socráticos e seguristas. É acusação que não colhe em relação ao actual Presidente, que, honra lhe seja feita, apesar de ter liderado o maior partido português, tem exercido a sua magistratura de forma rigorosamente apartidária. Mas a ser verdade que a declaração do Presidente uniu o PS de Seguro à volta de Sócrates e de tudo aquilo que este representa, política e eticamente, então o prefácio de “ROTEIROS VI” deverá ser visto como um requiem pelo PS.
6. A lição do Presidente
Mas o argumento decisivo a favor da oportunidade e pertinência do prefácio de “ROTEIROS VI”, considerado agora no seu todo, na sua valia ética e doutrinária, é o de que a lição da História não é adiável. Estou convencido de que o Presidente o que quis dizer, ao afrontar a realidade de forma tão séria e desassombrada, é que o comportamento que esteve na origem da crise de 2011 jamais poderá repetir-se. Isto é: quando um primeiro-ministro não for capaz de ser leal para com o Presidente da República deve apresentar-lhe o seu pedido de demissão. Por imperativo ético e constitucional.
Publicado na edição do Jornal da Madeira de 7 de Março de 2012

Afinal, o que se constata é que a Autonomia Política da Madeira se mantém intacta. A Constituição e os Estatutos não foram revogados, nem suspensos. Estão integralmente em vigor.
O Governo da Madeirae, em especial, o seu Presidente, têm sido acusados de destruírem a autonomia política por terem aceitado o Programa de Ajustamento Económico e Financeiro da Região Autónoma da Madeira. Quem assim pensa, além de revelar uma estranha concepção sobre o que seja a Autonomia, está a fazer uma incompreensível confusão de planos lógicos, que lhes retira toda a razão. Senão, vejamos.
A autonomia política da Madeira e dos Açores, direito originário dos seus Povos, foi reconhecida na Constituição da República Portuguesa de 1976 e encontra-se plasmada nos respectivos Estatutos Político-Administrativos. Coloca-se no domínio das relações entre as Regiões Autónomas e o Estado, tem natureza institucional e insere-se na estrutura constitucional do Estado Português.
Ao invés, o Plano de Ajustamento Financeiro não passa de um documento em que, de acordo com o respectivo texto, se «descrevem os limites quantitativos e os objectivos do Programa e as medidas a adoptar pela Região para alcançar esses objectivos e os termos em que a assistência será prestada». Trata-se, assim, de um texto onde se assumem determinados compromissos, de natureza instrumental, com o objectivo de regularizar uma situação conjuntural, embora grave, nos domínios financeiro e económico, e que são pressuposto de medidas e contratos a serem adoptados posteriormente. Como tal, o Plano deve ser encarado como um instrumento concebido “ad hoc” para superar uma situação transitória, que, pela sua gravidade, configura um verdadeiro caso de estado de necessidade. Ainda que nele se prevejam aspectos cuja resolução só seja possível no médio e longo prazo, o Plano e os seus desenvolvimentos colocam-se no quadro das relações entre devedor e credor, o que explica o rigor e a dureza de algumas das condições postas e a minúcia dos mecanismos previstos em matéria de prazos e de controlos. O que não é plausível, nem aceitável, é que se queira extrapolar de uma relação meramente contabilística para uma perda de autonomia. Tal salto lógico só é compreensível porque aqueles que falam agora do fim da Autonomia são exactamente os que nunca a defenderam, nem nunca lutaram por ela.
Afinal, o que se constata é que a Autonomia Política da Madeira se mantém intacta. A Constituição e os Estatutos não foram revogados, nem suspensos. Estão integralmente em vigor. Razão tinhaAlberto João Jardimquando, no final da longa reunião com o Primeiro-Ministro em que foi desbloqueado o Plano, afirmou: «O Programa… não contém nenhuma cláusula que signifique que a Região abdica dos seus direitos constitucionais».
O Presidente da Madeira mais uma vez evidenciou uma grande lucidez e coerência: numa situação de verdadeiro estado de necessidade, soube ceder no acessório e manter-se firme no essencial.
Estou certo de que a História se encarregará de demonstrar de que lado está a razão. Também estou certo de que os verdadeiros autonomistas não vacilarão na defesa do que é essencial: a Autonomia da Madeira.
NOTA PARA OS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA
O deputado social-democrata madeirense, Manuel Correia de Jesus, acaba de ser eleito, por unanimidade, vice-presidente do Grupo Especial do Mediterrâneo e Médio-Oriente (GSM), em reunião realizada esta tarde no Djibuti.
O GSM está integrado na Assembleia Parlamentar da NATO e, como a própria designação sugere, ocupa-se dos complexos e múltiplos problemas que respeitam à segurança do Mediterrâneo e aos países do Norte de África e Médio-Oriente.
Na mesma reunião, foram também eleitos o presidente do Grupo, o senador italiano António Cabras, e mais um vice-presidente de nacionalidade turca.
Palácio de São Bento, 15 de Novembro de 2011
NOTA ENVIADA AOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA
O deputado Correia de Jesus, de 14 a 17 de Novembro, participa numa visita ao Djibuti do Grupo Especial para o Mediterrâneo e Médio Oriente (AP-NATO).
A visita começa com um briefing sobre a segurança no Djibuti e compreende encontros com o Presidente da República, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas djibutianas. Depois, os parlamentares da NATO visitarão a Task Force 508, a bordo do cruzador italiano Andrea Dória, e, no dia 15, assistirão a uma mesa-redonda sobre a evolução da segurança regional e os desafios humanitários, na embaixada americana, com a participação dos embaixadores dos Estados Unidos da América, de França e da Alemanha e dos respectivos adidos militares e participarão em reuniões sobre as questões ligadas à economia regional e à segurança alimentar, com a presença de representantes do FMI, do HCR e do Programa Alimentar Mundial. O dia seguinte será preenchido com visitas ao Campo Lemonnier (EUA), onde se encontra sediada a Força Operacional Interaliada – Corno de África, e à Base das Forças Francesas, com apresentações estática e dinâmica das respectivas capacidades. No último dia da visita, haverá um encontro com o Presidente da Assembleia Nacional e deputados djibutianos e realizar-se-ão reuniões com o Embaixador da UE no Djibuti, Nicola Delcroix, e com o Comandante da UE-NAVFOR, Contra-almirante Thomas Jugel.
Subjacentes a todo o programa da visita estarão as preocupações com o combate ao terrorismo na região, com a luta contra a pirataria e com as ameaças à segurança no Corno de África.
No seio restrito do Grupo será examinado e votado um projecto de relatório sobre as incidências dos levantamentos populares na Região do Médio-Oriente e da África do Norte e proceder-se-á à eleição dos membros da respectiva direcção para o próximo biénio.
Além de Correia de Jesus, completam a representação portuguesa os deputados José Lello (PS) e Joaquim Ponte (PSD).
Publicado na edição do Jornal da Madeira do dia 9 de Novembro de 2011, data da tomada de posse do novo Governo Regional da Madeira
Conheço o Dr. Alberto João Jardim desde os tempos de liceu. Já lá vão mais de 50 anos e sempre temos mantido uma relação amigável, cordial, sem qualquer tipo de atrito.
E isto porque o Dr. Alberto João Jardim é leal, franco e solidário com os amigos, embora seja implacável com os adversários e inimigos.
Na política, o Dr. Alberto João Jardim cultiva uma certa heterodoxia táctica, com o que baralha os adversários, mas é extremamente racional na substância e na estratégia.
Ele continua a ser original, autêntico e frontal, mas também imprevisível, na maneira de fazer política.
É decidido e corajoso na defesa dos princípios e convicções. Exerce a autoridade de forma determinada, mas não hesita em emendar a mão quando lhe demonstram que não tem razão. E, muito importante, não usa de reserva mental em relação aos seus colaboradores.
É um comunicador nato, repentista e com grande sentido de humor. Vê-se que tem uma concepção lúdica da vida e até da política.
É dotado de uma invulgar capacidade de prever, o que lhe dá um enorme poder de antecipação, aspecto, aliás, essencial em política.
Tudo isto faz com que seja fácil conviver com o Dr. Alberto João Jardim e, para mim, tem sido exultante trabalhar com ele na defesa da Madeira e do seu Povo.
Estou mesmo convencido de que aqueles que o criticam, afinal, não o conhecem.
Artigo publicado na edição do Jornal da Madeira do dia 29 de Outubro de 2011
1. Nova maioria absoluta do PSD-M
Ao longo de trinta e cinco anos de autonomia política, o PSD-Madeira averbou quarenta e cinco vitórias, todas com maioria absoluta, a última das quais no dia 9 de Outubro de 2011. Os números indiciam que esta terá sido a menos absoluta de todas as maiorias alcançadas pelo PSD-M. Mas, por vezes, os números, na sua objectividade, são enganadores. É que as circunstâncias em que foram disputadas as últimas regionais da Madeira levam-me a reconhecer que esta foi a maior, a mais significativa vitória obtida pelo PSD-M. A vitória do dia 9 de Outubro foi obtida contra tudo e contra todos. Nesse dia memorável o PSD-M não só obteve mais uma maioria absoluta, mas também venceu os inimigos da Autonomia, todos aqueles que pretendem subjugar, de novo, o Povo Madeirense.
2. Afinal, em política também há gratidão
É costume dizer-se que em política não há gratidão. Porém, as eleições do dia 9 de Outubro demonstraram o contrário. Com efeito, a propósito destas eleições, houve como que uma conjunção planetária para derrubar o Dr. Alberto João Jardim. Os ataques surgiram de todos os lados, numa tentativa de denegrir o político e a obra e fazer esquecer a dedicação, a ousadia, a clarividência e a determinação com que vem governando a Madeira e tem defendido os nossos direitos e legítimos interesses, nas instâncias nacionais e internacionais, durante mais de três décadas. De repente, de todos os lados, apareceram críticas à sua governação, ao endividamento da Região, esquecendo-se que este foi imposto pela necessidade inadiável de arrancar a Madeira ao atraso ancestral em que a deixaram a dominação colonial de séculos e os quarenta anos de Estado Novo, catapultando-a para os mais elevados patamares de desenvolvimento, progresso e qualidade de vida. E, mais recentemente, pelo garrote financeiro que Sócrates e Teixeira dos Santos impuseram à Madeira. Houve mesmo quem, à falta de pretexto para acusarAlberto João Jardimde corrupção, quisesse condená-lo por simples irregularidades no processamento das contas da Região. Até o Senhor Procurador-Geral da República, mal foi tornada pública a dívida da Região, mandou instaurar um inquérito para apuramento de eventuais responsabilidades criminais. O mesmo Procurador-Geral que tudo fez para proteger o primeiro-ministro José Sócrates, de má memória, não só ignorando a ocultação, sub-orçamentação e deslizamento de défices, mas sobretudo na indisfarçável subserviência e parcialidade com que acompanhou os processos que envolviam o anterior primeiro-ministro, esses sim baseados em acusações de cariz criminal. Foi, pois, montada uma conspiração de largo espectro que tinha em vista o assassinato político do nosso Presidente e até a sua incriminação.
Ora, o eleitorado, na expressão livre e esclarecida do seu voto, ao escolher o Dr.Alberto João Jardimpara continuar a dirigir os destinos da nossa Região Autónoma, quis também dar prova do seu sentido de justiça e exprimir um elevado sentimento de gratidão pelo contributo único e insuperável que o Dr.Alberto João Jardimvem dando na construção da “Madeira Nova”.
3. Consequências da guerra contra a Madeira
A guerraque foi movida contra a Madeira, a propósito da dívida da Região, constituiu o mais grave exercício de irresponsabilidade política de que há memória na história democrática recente e também um descarado desvirtuamento das regras do jogo democrático.
De facto, o ataque à Madeira, levado a cabo por uma multidão de pessoas e entidades - responsáveis políticos, no activo e na reforma, comentadores, analistas, jornalistas, forças políticas, órgãos de comunicação social, sindicatos, empresários, académicos - todas assumindo uma postura crítica em relação à situação financeira e económica da nossa Região, formulando juízos infundados e até mesmo injuriosos sobre a obra feita e sobre aqueles que ao longo do tempo protagonizaram o sucesso da nossa experiência autonómica, ousando mesmo assacar responsabilidades criminais contra eles; esse ataque, fracturante da Nação Portuguesa, pondo portugueses contra portugueses, continentais contra madeirenses, redundou no mais rude e irresponsável golpe alguma vez vibrado na coesão e unidade nacionais.
Mas o que se passou durante a campanha para as regionais de 9 de Outubro foi também o mais grave atentado contra o Estado democrático verificado durante a vigência da Constituição de 1976. Os autores daquele ataque sabiam (e queriam) que, ao procederem assim, estavam a praticar uma grave e inadmissível interferência no processo eleitoral que decorria na Região Autónoma da Madeira. Apoiaram e incentivaram todas as forças políticas que se opunham ao PSD-Madeira e ao seu Presidente e, dessa forma, distorceram a realidade e influenciaram, através de um terrorismo verbal sem precedentes, o resultado eleitoral.
Tais pessoas e entidades, agora remetidas ao silêncio, perderama guerracontra a Madeira e, com a sua irresponsabilidade e conduta anti-democrática, abriram feridas talvez insaráveis. Apenas se deixaram mover por sentimentos mesquinhos de révanche política. Num momento tão difícil da nossa História, não pensaram em Portugal, não cuidaram de manter unida e coesa a Nação Portuguesa.
Lamento que alguns daqueles que tinham um especial dever de solidariedade para com o PSD-Madeira, para com o seu Presidente, para com o Partido da Autonomia, para com os sucessos da governação social-democrata na Região, se tivessem colocado do lado dos que nos atacaram e que, em vez de celebrarem connosco a vitória do dia 9 de Outubro, se tenham misturado tristemente com os derrotados.
Publicado na edição do Jornal da Madeira do dia 14-09-2011
A estratégia de Sócrates era por demais evidente: retirar à Madeira os meios de que ela carecia para se manter na senda do progresso e da melhoria das condições de vida.
1. Para os que têm memória curta
A altura é propícia para recordar aos leitores do Jornal da Madeira a grave situação em que o 1º governo socialista de Sócrates mergulhou a Região Autónoma da Madeira e o decisivo contributo que o então deputado Maximiano Martins deu para que tal tivesse acontecido.
Com a vitória de Sócrates nas eleições de 2005, o Continente passou a estar sob a alçada do poder socialista e os Açores mantiveram-se na mesma área política. A Madeira passou a ser, então, o único bastião social-democrata em Portugal.
Daí que o primeiro-ministro José Sócrates tenha assumido o desígnio (satânico) de desalojar o PSD do poder na Madeira e entregá-lo ao PS, sujeitando o País ao unanimismo rosa.
A determinação, a teimosia e a ferocidade de José Sócrates já eram então conhecidas de todos e a generalidade dos portugueses já se tinham apercebido de que estávamos perante um político fundamentalista, cuja personalidade política apresentava como principais traços o cinismo, a perversidade e a mentira, que não olharia a meios para atingir o poder total.
2. Estratégia de Sócrates para a conquista do poder na RAM
Sócrates definiu, pois, uma estratégia para a conquista do poder na RAM.
Mesmo antes de tomar posse, anunciou que seria ele, primeiro-ministro, a tratar pessoalmente dos assuntos das Regiões Autónomas. Porém, a prática veio a demonstrar que a sua verdadeira intenção não era resolver os problemas da RAM, mas impedir a sua solução. Tratava-se, afinal, de mais uma manifestação premeditada do tacticismo permanente com que o ex-primeiro-ministro geria os assuntos do Estado.
Começou por propor, numa originalidade que não encontra paralelo em nenhuma democracia europeia, a limitação dos mandatos do primeiro-ministro e dos presidentes dos governos regionais. Era, obviamente, uma lei “intuitu persona”, para ganhar na secretaria o que o PS jamais havia conseguido alcançar em eleições livres. Porém, o golpe de secretaria era tão grosseiro que não passou do guichet da repartição…
3. O garrote financeiro e outras malfeitorias
Mas Sócrates não desiste. Passa a utilizar o poder do Estado, através da ampla maioria de que dispõe na Assembleia da República, para prejudicar a Madeira. E tudo o que se fez na Assembleia da República e no Governo contra a Madeira contou com o voto favorável e o aplauso dos deputados socialistas eleitos pela Madeira, liderados por Maximiano Martins.
No Orçamento do Estado para 2006 e nos seguintes, nenhuma das propostas apresentadas pelo Governo Regional da Madeira ou pelos deputados social-democratas madeirenses na AR foi aceite e compromissos financeiros de anteriores governos não foram honrados.
Ao nível das instâncias comunitárias, as pretensões da Madeira não foram devidamente acauteladas e defendidas pelo Governo da República, com claro prejuízo para a Região em matéria de fundos comunitários e do Centro Internacional de Negócios da Madeira.
A nova Lei de Bases do Desporto retirou poderes aos parlamentos regionais, representando um grave e pernicioso retrocesso em relação ao que já havia sido conseguido no passado.
A legislação sobre domínio público marítimo viola o Estatuto Político-Administrativo da RAM.
4. O golpe de misericórdia
Depois, Sócrates, numa clara instrumentalização dos poderes do Estado, recorre, sem escrúpulos, ao estrangulamento financeiro da Região. A nova Lei de Finanças das Regiões Autónomas (e também a nova Lei de Finanças Locais), aprovada só com os votos favoráveis do PS, incluindo os dos deputados socialistas eleitos pela Madeira, liderados por Maximiano Martins, foi concebida para retirar à Madeira os meios financeiros mínimos para a sustentabilidade do sector público e da economia regionais. Recordo que a anterior Lei de Finanças das Regiões Autónomas, da iniciativa de um dos governos do Eng.º Guterres, havia sido aprovada por unanimidade.
A política do governo socialista era, por um lado, cortar nas receitas da RAM, dotada de um governo social-democrata, e, por outro lado, à custa da Madeira, beneficiar os Açores, de governação socialista. Por exemplo, no Orçamento do Estado para 2006, no que respeita ao PIDDAC, era atribuído aos Açores o triplo das verbas destinadas à Madeira. Porém, quero deixar bem claro que nada temos contra a melhoria da situação nos Açores, antes nos congratulamos com isso; o que não aceitamos é que tal seja feito à custa da Madeira, com base em critérios meramente politico-partidários.
Foi, assim, criada uma situação de vindicta política em relação à Madeira, que agravou – e agrava -, injusta e substancialmente, as condições de vida e de progresso da Região e que, pela mão do primeiro-ministro – veja-se o paradoxo – põe claramente em causa a unidade e coesão nacionais. Agindo como agiu, Sócrates deu, ainda, cabo da solidariedade insular, património que havia sido laboriosamente construído ao longo de quase três décadas.
5. Objectivo falhado
A estratégia de Sócrates era por demais evidente: retirar à Madeira os meios de que ela carecia para se manter na senda do progresso e da melhoria das condições de vida; criar, por essa via, uma situação de grave crise económica e social, que os socialistas regionais se encarregariam de imputar ao Presidente do Governo e ao PSD-Madeira e dar o poder de mão beijada ao PS Madeira nas eleições regionais cuja realização estava prevista para Outubro de 2008.
Foi neste contexto que o Presidente do Governo Regional, numa tirada de génio, apresentou a sua demissão, provocando a dissolução da Assembleia Legislativa da Madeira e a realização de eleições antecipadas, que culminaram com a estrondosa vitória do PSD-Madeira em 6 de Maio de 2007, com cerca de 70% dos votos.
Deu-se, assim, início a uma nova legislatura, que atirou as próximas eleições regionais da Madeira para 2011, inviabilizando, de todo, a malévola estratégia do primeiro-ministro em relação à Madeira. Ao contrário do idealizado por Sócrates, não foi ele a assistir à queda do Dr. Alberto João Jardim e do PSD-Madeira, antes, fomos nós que assistimos à semi-derrota de José Sócrates e do PS nas eleições de Outubro de 2009 (em que perderam a maioria absoluta) e à sua morte política a 5 de Junho de 2011.
6. A saga contra a Madeira continuou
Sócrates e o PS ignoraram o resultado e o significado das eleições de Maio de 2007 (Vitalino Canas, porta-voz do PS, declarou, na altura, que as eleições da Madeira não tinham qualquer importância) e continuaram a sua saga persecutória contra a Madeira.
O governo central foi ao ponto de, unilateral e arbitrariamente, reter as transferências do Orçamento do Estado para a Região, invocando infracções e irregularidades que o Tribunal de Contas verificou não terem ocorrido, repondo a legalidade da situação.
Tal como acontecera em 2005 e 2006, também em 2007 e 2008, o ministro das Finanças não autorizou o recurso ao endividamento, impedindo a Região de contrair empréstimos junto do Banco Europeu de Investimento, empréstimos que o Governo Regional já havia negociado e que eram indispensáveis para o desenvolvimento sustentado da Região.
O governo central não promoveu, em tempo devido, a regulamentação dos projectos de interesse comum, inviabilizando desse modo a transferência das verbas destinadas ao financiamento desses mesmos projectos.
Por fim, o governo socialista, na elaboração dos sucessivos Orçamentos do Estado, abandonou o diálogo institucional com o Governo Regional e passou a ter como interlocutores privilegiados os deputados socialistas eleitos pela Madeira, nomeadamente o deputado Maximiano Martins.
A Madeira sempre contou com a total e empenhada solidariedade do Senhor Presidente da República, que tudo fez junto do primeiro-ministro para inverter este estado de coisas e evitar males maiores.
A determinada altura, pensamos que por insistência do Presidente da República, o primeiro-ministro delegou no ministro da Presidência o acompanhamento das questões respeitantes à Região Autónoma da Madeira. Alguns receberam essa notícia com esperança e um certo optimismo. Por mim, fiz questão de advertir quem de direito que, tratando-se de um clone ou duplo de Sócrates, nada iria mudar. E nada mudou.
7. Epílogo
O testa de ferro para a execução desta política anti-patriótica de Sócrates e profundamente lesiva dos direitos e legítimos interesses da Região Autónoma da Madeira e do seu Povo foi o Dr. Maximiano Martins, que agora se candidata a presidente do governo regional pelo Partido Socialista. É caso para se dizer que foram ultrapassados todos os limites da decência…
Caros Leitores, hoje, vamo-nos debruçar sobre O PASSIVO DA HERANÇA DE SÓCRATES. Vamos tentar perceber como foi possível chegarmos a esta situação de bancarrota, como foi possível termos caído tão fundo.
Como foi possível? Sobretudo depois de, em 2006 e 2007, se ter ficado com a impressão de que o governo estava a controlar o défice e a promover a consolidação orçamental. Porém, tratava-se de pura ilusão. Já, então, como alertou Manuela Ferreira Leite, estávamos a ser enganados. Esse aparente controlo do défice ficou a dever-se à brutalidade da carga fiscal imposta às empresas, levada a cabo sob a capa do combate à fraude e evasão fiscais, isto é, à custa do aumento da receita e não da diminuição da despesa. Mal chegou ao governo, em Março de 2005, Sócrates, com a cumplicidade seráfica do seu camarada de partido Victor Constâncio, então governador do Banco de Portugal, ensaiou a farsa de simular um défice de 6,83% para o final do ano de 2005, e, com base nesse número fictício, aumentou os impostos, negando o que prometera em campanha eleitoral, e desencadeou a mais feroz repressão fiscal de que há memória. Assim, as pequenas e médias empresas ficaram descapitalizadas, diminuiu o poder de compra dos portugueses e, apesar da ampla maioria política que o suportava no parlamento, o governo não foi capaz de pôr a economia a crescer. Como observei, então, os portugueses deram uma maioria absoluta a Sócrates, aliás, sem este ter feito nada para a merecer, mas não confiavam nele. Deste modo, é um país parado, sem motivação nem élan, que é apanhado pela crise financeira internacional que eclodiu no segundo semestre de 2008. Ao não crescimento juntava-se, internamente, a ausência de reformas de fundo que permitissem rentabilizar recursos na saúde, na educação, na segurança social, e reduzir a despesa pública. É por esta razão, e por outras endémicas, que é geralmente reconhecido que Portugal estava menos preparado do que outros parceiros europeus para enfrentar a crise.
Cabe, ainda, perguntar: - Mas, mesmo assim, como foi possível chegarmos a esta situação em que todos os indicadores são terrivelmente penalizadores para o nosso País e que, há muito, nos obrigavam a recorrer à ajuda externa? Por outras palavras: - Como gastou Sócrates o nosso dinheiro?
Para ganhar as eleições de 2009, Sócrates tomou duas medidas simpáticas, mas letais para Portugal: reduziu a taxa do IVA em um ponto percentual e aumentou os vencimentos da função pública em 2%. Do ponto de vista da macro política, estas duas medidas foram um erro estratégico de sequências trágicas. Mas Sócrates, além de demagogo, é também megalómano e perdulário e tem a mania de que é moderno e vanguardista. Daí ter sonhado com obras faraónicas, verdadeiros elefantes brancos, que ficariam como “obras do regime” a assinalar o seu consulado. Nunca acreditei na exequibilidade dessas fantasias “socráticas”. De facto, passados mais de seis anos, dessas obras, nada existe no terreno, mas, no entanto, os sonhos megalómanos de Sócrates já nos custaram muitos milhões de euros. Lembram-se do Novo Aeroporto de Lisboa, que seria construído na Ota? Pois, apesar das críticas fundadas que desaconselhavam o local escolhido, a teimosia de Sócrates e do seu ministro das Obras Públicas, Mário Lino, de ridícula memória, até à desistência, essa teimosia custou em estudos, projectos, propaganda, expropriações e terraplanagens, largas centenas de milhões de euros. Depois, apesar do “deserto” e do “jamais” do divertido Mário Lino, surgiu a alternativa de Alcochete e repetiu-se o processo com estudos, projectos, propaganda, adopção de medidas legislativas contra a especulação imobiliária, incluindo a proibição de novas construções, com todo o rol de custos que uma operação dessa envergadura implica. É óbvio que, nesta relação de gastos, não estão incluídos os lucros cessantes na Ota e em Alcochete, com a paralisação de negócios e investimentos, a significativa quebra no desenvolvimento das respectivas regiões e tantas expectativas frustradas.
O outro sonho de Sócrates é o comboio de alta velocidade. É o TGV. Também a este respeito, apesar das dúvidas sobre o número de linhas e respectivos traçados, sobre a rentabilidade de tão vultuosos investimentos e a eventualidade de os prejuízos de exploração virem a ser suportados pelo erário público, sobre a falta de capacidade financeira do Estado para assegurar a comparticipação nacional impostas pela ajuda comunitária, sobre o impacto social e económico de tal investimento, sobretudo na procura interna e na criação de emprego, apesar de tudo isso, Sócrates, obcecado e teimoso, persistiu, e persiste, em avançar, quando a ameaça do colapso e da bancarrota já pairavam, e pairam, sobre nós. Mesmo quando se verificou que poderia haver incompatibilidade com o TGV espanhol e que seria de todo impossível, por falta de meios financeiros, construir o troço entre o Poceirão e Lisboa e a terceira travessia sobre o Tejo, Sócrates persistiu e chegou mesmo a fazer adjudicações de centenas de milhões de euros, que, devido à manifesta impossibilidade de levar a cabo tais obras, constituirão o Estado na obrigação de pagar indemnizações fabulosas às empresas adjudicatárias. Além disso, Sócrates, para pressionar a construção do TGV, mandou suspender o projecto de modernização da linha do Norte, onde já haviam sido enterrados mais de dois mil milhões de euros…
Uma das mais desastrosas e gastadoras aventuras de Sócrates foi a nacionalização do BPN – Banco Português de Negócios. Um dia a história revelará que há algo de comum entre esta decisão e aquela que levou o ministro Mariano Gago a extinguir a Universidade Independente… A situação verificada no BPN ficou a dever-se em grande parte a falhas da supervisão bancária, que estava a cargo do Banco de Portugal e da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). E precisamente no momento em que o Banco era liderado por Miguel Cadilhe, que denunciou as irregularidades cometidas por anteriores administrações e delas participou à Polícia Judiciária e que tinha um plano de viabilização do Banco para o que solicitara à Caixa Geral de Depósitos um empréstimo de 800 milhões de euros, o governo de Sócrates, pela mão do seu principal cúmplice, Teixeira dos Santos, negou a concessão do empréstimo e decretou a nacionalização do Banco, invocando como razão para tal “a existência de risco sistémico” para a banca portuguesa. Nada mais, a não ser a mentira descarada de que a nacionalização do BPN não envolveria qualquer encargo para os contribuintes. Ora, hoje, o buraco do BPN já ascende a cerca de cinco mil milhões de euros e constitui uma das principais causas da situação de bancarrota a que Sócrates nos conduziu e que transformou Portugal num protectorado das instituições estrangeiras que, agora, garantem a nossa subsistência.
Outro domínio em que Sócrates patenteou o seu novo-riquismo foi o do Plano Rodoviário Nacional. À medida que encalhavam o novo Aeroporto de Lisboa e o TGV, Sócrates construía auto-estradas a esmo e, se não fora a enérgica oposição do PSD, teria mesmo cometido a loucura de construir uma terceira auto-estrada entre Lisboa e Porto, sem se preocupar com a crescente desertificação do interior, nem com o agravamento das desigualdades entre este e o litoral. Também aí foram gastos largos milhões de euros sem critério, constituíram-se dispendiosas responsabilidades de exploração e manutenção, mas Sócrates pode orgulhar-se de Portugal ser o país da Europa onde há mais quilómetros de auto-estradas por habitante…
Em nome da modernidade, Sócrates apostou no Plano Tecnológico, no PRACE, no SIMPLEX, nas energias renováveis, esquecendo-se de apoiar as pequenas e médias empresas, criadoras de emprego e de riqueza. Nesse salto tecnológico, nomeadamente nas Novas Oportunidades – sinónimo, na maioria dos casos, de Novas Facilidades – e na distribuição maciça de computadores, Sócrates gastou rios de dinheiro, como se de um país abastado e evoluído se tratasse. De tudo isso fez dispendiosa propaganda, por vezes com violação das mais elementares regras democráticas, em cerimónias típicas dos regimes ditatoriais, como aquela encenação em que apareceu a distribuir computadores a meninos arrebanhados e pagos pela empresa vendedora dos Magalhães, simulando estar numa sala de aula… de uma escola pública. Desde os computadores prometidos e que ficaram por entregar até aqueles que foram vendidos nas feiras pelos pais dos alunos contemplados, passando pelas irregularidades verificadas na compra dos Magalhães e nos erros de programação dos mesmos, é um triste rol de despesismo e de demagogia que Sócrates tem para oferecer aos portugueses. Em nome da modernidade, Sócrates gastou milhões e milhões de euros, que devem ser levados ao passivo da sua desastrosa herança.
Para alimentar esta política de irresponsabilidade e despesismo, Sócrates exauriu os cofres do Estado e, não podendo emitir moeda, foi aumentando a nossa dívida externa, a juros cada vez mais elevados, mergulhando-nos numa recessão de que ninguém sabe quando sairemos. Contrariando toda a racionalidade, Sócrates pedia dinheiro emprestado, não para enriquecermos, mas para empobrecermos. A HERANÇA DE SÓCRATES é verdadeiramente trágica. Não a podemos repudiar. Somos nós, os nossos filhos e netos, que, com o nosso trabalho, sacrifícios e impostos, temos de a pagar. Porém, há uma coisa que está ao nosso alcance, já no próximo dia cinco de Junho: é nos vermos livres dele, impedindo-o de ressuscitar politicamente.
Publicado na edição do Jornal da Madeira do dia 20 de Maio de 2011
A MODERNIDADE DE SÓCRATES
Um dos aspectos mais negativos da Herança de Sócrates é o que respeita às chamadas “causas fracturantes”, de que Sócrates tanto se orgulha e que, segundo o próprio, seriam uma exigência de modernidade e progresso, uma espécie de libertação da sociedade portuguesa das trevas herdadas do passado. Recordemos, então, o seu legado neste domínio.
Sócrates começou por alterar a lei do divórcio, simplificando-o ao ponto de o vínculo matrimonial se tornar mais ténue do que um contrato de prestação de serviços a recibos verdes. Acabou com a distinção entre divórcio litigioso e divórcio por mútuo consentimento, embora mantendo o elenco dos deveres conjugais que constava do Código Civil, cuja violação deixou de ser passível de qualquer sanção e se transformou apenas num mero rol de recomendações, sem qualquer eficácia prática. Esta alteração traduziu-se numa desprotecção do elo mais fraco do casal e numa espécie de recompensa para o cônjuge prevaricador. Além disso, limitou os poderes do juiz em matéria de regulação do poder paternal, retirando-lhe o poder de suprir a vontade dos pais, quando estes não cheguem a acordo. Acabou com todos os mecanismos de ponderação e de responsabilização quanto à tomada da decisão de um ou os dois cônjuges recorrerem ao divórcio. Assim, fragilizou irresponsavelmente o vínculo conjugal e deu uma machadada de morte na estabilidade da instituição familiar.
Sob a capa da despenalização do aborto e com base em argumentos e dados estatísticos falaciosos, Sócrates levou a cabo uma completa liberalização do aborto, transformando-o num verdadeiro expediente contraceptivo à custa do erário público. Prometeu que, na regulamentação da lei, seriam tomadas medidas com vista a evitar, sempre que possível, a interrupção da gravidez, nomeadamente através do estabelecimento de um período de reflexão devidamente acompanhado por um médico, mas nada disso foi consagrado em termos adequados e, na prática, o aborto tornou-se verdadeiramente livre, com todas as consequências aos níveis da defesa da vida, do preenchimento do nosso défice demográfico e da organização e custos do Serviço Nacional de Saúde. Sócrates foi mesmo ao ponto de atribuir um subsídio de maternidade por cada aborto efectuado…
No seguimento da agenda fracturante de Sócrates, veio depois o casamento entre pessoas do mesmo sexo, medida considerada inadiável face à inadmissível discriminação de que os homossexuais eram vítimas na ordem jurídica portuguesa…, segundo ele, violadora do princípio constitucional da igualdade. Curiosamente, aqueles que professam ideologias de esquerda e que toda a vida consideraram o casamento uma instituição burguesa e reaccionária, que deveria ser extinta, apareceram a defender acerrimamente o casamento homossexual como o expediente perfeito para “libertar a comunidade gay da opressão capitalista”! Baseados nas ambiguidades da nossa lei fundamental e na não menos ambígua jurisprudência do Tribunal Constitucional, criaram uma nova ficção legal, ou seja, que uma união entre duas pessoas do mesmo sexo poderia ser considerada um casamento. E, assim, realidades diferentes passaram a ser tratadas da mesma maneira, aqui, sim, em clara violação do princípio da igualdade que manda tratar do mesmo modo o que é igual e a tratar de modo diferente o que é diferente. De nada valeu o PSD apresentar um projecto que resolvia o problema através da “união civil registada”, aliás de acordo com a solução consagrada na grande maioria dos países membros da União Europeia, nem o veto do Presidente da República. A esquerda só tinha um objectivo: afrontar o núcleo essencial do conceito de casamento e, por essa via, mais uma vez pôr em causa a própria Família.
A culminar a senha modernizadora de Sócrates, surgiu, à pressa e sem a necessária ponderação, a lei sobre os transexuais, ou seja aqueles a quem “seja diagnosticada perturbação de identidade de género”. Também a este respeito, o PSD tentou refrear o ímpeto iconoclasta de Sócrates, vários especialistas pronunciaram-se por soluções mais exigentes e seguras, o Presidente da República vetou o Decreto da Assembleia da República, chamando a atenção para as suas vulnerabilidades e deficiências, mas nada conseguiu deter a cruzada da esquerda contra o edifício de princípios e valores que, tendo em conta o respeito da pessoa humana, procura dar uma resposta adequada aos seus anseios e problemas. Apesar de todos os avisos e das chamadas de atenção, apesar da solução alternativa apresentada pelo PSD, a esquerda aprovou uma lei que permite uma “mudança burocrática de sexo”, sem o mínimo de garantias. A lei é tão aberrante que o “novo homem” ou a “nova mulher” podem continuar a exibir os genitais do sexo anterior. É de pasmar, mas é verdade! E quanto à sorte do cônjuge do transexual que muda de sexo, caso este seja casado, a lei é simplesmente omissa…
Sócrates fez tudo isto menos por convicção do que por tacticismo. Esta era a agenda com que pensava cativar votos à esquerda. Por isso não hesitou em hostilizar os sentimentos da grande maioria dos portugueses e a levar a cabo este processo criminoso de destruição de valores e princípios. Mas a agenda ainda não está completa: faltam a adopção por casais homossexuais e a eutanásia. Por isso, também por isso, ele se recandidatou. Se não quer que isso aconteça, se quer que algumas destas aberrações sejam corrigidas na próxima legislatura, repudie a “Herança de Sócrates”, através do seu voto, no dia 5 de Junho.
Afinal, a modernidade de Sócrates não é mais do que uma espécie de regresso a Sodoma e Gomorra…
Publicado na edição do Jornal da Madeira do dia 15 de Maio de 2011
1. Introdução
Recuso-me a aceitar que ainda haja alguém que ache que Sócrates está politicamente vivo. Conhecendo-o há mais de duas décadas, sempre considerei que Sócrates nunca devia ter nascido para a política e que, em circunstância alguma, lhe poderia ser confiado qualquer cargo de responsabilidade na governação do país, de uma câmara municipal ou de uma freguesia. Tratava-se de uma exigência de sanidade mental.
Mais grave, porém, e inconcebível, é que o próprio continue a admitir não só que não está morto, mas que ainda tem futuro político. E que nessa veleidade se encontre acompanhado por um número significativo de portugueses.
Para mim, e espero que para a grande e esmagadora maioria dos Portugueses, Sócrates está politicamente morto e enterrado. Daí que só faça sentido falar da sua herança. A respeito desta, abordarei primeiro, num ponto prévio, o carácter do “defunto” e, depois, farei a relação, não dos bens, mas dos males da herança.
2. O carácter de Sócrates
Como já escrevi neste Jornal, entendo que o carácter corresponde ao eu intrínseco de cada pessoa e que, como tal, é indivisível. Aqueles que o negam, apenas querem legitimar condutas que, do ponto de vista ético, são inaceitáveis. É certo que todos nós temos defeitos e cometemos faltas, mas o que não podemos admitir é que quem tem responsabilidades políticas possa furtar-se a elas com o argumento de que em dada situação concreta não actuava como político, mas como cidadão comum. Ou que se permita na sua vida privada comportamentos ilícitos ou eticamente condenáveis e pretenda que tais comportamentos nada têm a ver com o exercício do cargo público em que está investido. É esta dualidade de critérios e de juízos, é este desdobramento de personalidade, que não podemos aceitar, sob pena de cairmos num relativismo ético, em que praticamente tudo é permitido, desculpável e justificável.
Ao político, e à sua pessoa, exigem-se verdade, honestidade, lealdade, seriedade, competência, devoção à causa pública, espírito de sacrifício, capacidade de trabalho, generosidade e transparência, humildade e tolerância. Exigem-se, em suma, um carácter recto e uma personalidade bem formada. É por isso que Sócrates nunca deveria ter nascido para a política, nunca deveria ter assumido responsabilidades de governo, muito menos de primeiro-ministro. O seu percurso pessoal e político ilustra de forma abundante e irrefutável o que não deve ser um político. De facto, o Sócrates politicamente perverso, mentiroso, tacticista e ilusionista é o mesmo que iludiu a universidade acerca do seu curso, que assinou projectos que não eram seus, que enriqueceu de forma enigmática – sério na política só pode empobrecer…-, que se envolveu em processos de contornos nunca completamente esclarecidos, como o do Freeport ou da Face Oculta, que pressionou e beneficiou da cumplicidade e complacência das mais altas instâncias judiciais, que atemorizou e ameaçou órgãos de comunicação social, que cerceou a liberdade de expressão e o pluralismo de informação, que condicionou bancos e empresas estratégicas, que colocou os seus homens (e mulheres) de mão nos lugares chaves da Administração Pública, que negociou com ditadores, que conspirou contra o Presidente da República, que manipulou de forma despudorada a opinião pública, que instrumentalizou dinheiros públicos para fins político-partidários…, que conduziu o nosso país ao colapso financeiro e económico e ao caos. E em todas estas situações está a mesma pessoa, está o mesmo indivíduo, com um projecto de poder pessoal, que nada tem a ver com os interesses de Portugal, com a situação dos mais desfavorecidos, com o tão apregoado Estado Social, mas tão só com a manutenção do poder a todo custo e, hoje, também com o benefício das regalias e imunidades que o poder lhe proporciona.
Alguém nestas condições, com este “currículo”, com estas responsabilidades históricas, ter-se-ia recandidatado ao lugar de primeiro-ministro? Só um louco! Alguém, no seu perfeito juízo, poderá escolher este indivíduo para chefe de governo do seu país? Alguém, tendo a possibilidade de afastar de vez este indivíduo da cena política portuguesa, vai ficar em casa no próximo dia 5 de Junho?
Num país civilizado e normal, Sócrates nunca teria sido primeiro-ministro. Ele não é pessoal nem politicamente digno. Os Portugueses não podem confiar nele. Ele está morto. Por favor, não o ressuscitem!
* A Herança de Sócrates continua. O tema do próximo artigo será “A modernidade de Sócrates”.