O nome do blog é retirado de uma estrofe do Hino da Madeira, o que indicia, desde logo, a minha matriz política de origem madeirense.

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Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

O SORRISO DOS POLÍTICOS (II)

Artigo de opinião publicado na edição do JM de 03 de Dezembro de 2017

 

 

  1. Ainda o sorriso de Sócrates

 Sócrates sorria, divertido e um pouco alucinado, quando anunciava ao País o lançamento da construção do Novo Aeroporto na Ota, que voou para Alcochete, a adjudicação do primeiro troço do TGV, pendurado entre o Poceirão e a fronteira do Caia, e o início da terceira auto-estrada entre Lisboa e Porto, entre outras obras megalómanas e irrealistas. Mesmo quando todos reconhecíamos, incluindo o seu ministro das finanças, que o País enfrentava dificuldades insuperáveis, Sócrates, com um sorriso impante, negava tudo, dava boas notícias aos portugueses e caminhava optimista para Bruxelas, onde negociou o PEC IV, sem ter dado prévio conhecimento ao Presidente da República e aos partidos com assento parlamentar. Só a ameaça da bancarrota, a derrota parlamentar do PEC IV e a queda do seu segundo governo nos livraram do sorriso de Sócrates…

 

  1. O sorriso de Costa

António Costa, matreiro e bem disposto, sorriu quando afastou o seu camarada António José Seguro da liderança do PS por considerar “poucochinho” o resultado obtido pelo seu partido nas últimas eleições europeias. Sorriu quando ganhou as directas e se tornou líder do PS e, consequentemente, candidato a primeiro-ministro. Continuou a sorrir, com um sorriso malicioso e pretensamente enigmático, na noite das eleições legislativas de 2015, ganhas pelo então Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho – sorriso falso, nada condizente com a sua situação de derrotado. Sorriu quando fingia que negociava com o PSD e o CDS-PP uma coligação de governo e, ao mesmo tempo, cozinhava a geringonça com os partidos derrotados da esquerda. Sorriu, sorriso aberto e triunfador, quando tomou posse do seu governo inconstitucional e ilegítimo, pensando para os seus botões: “levei-os a todos”. Com esse sorriso, ao mesmo tempo franco e traiçoeiro, conseguiu até o afecto e a cumplicidade do novo Presidente da República.

Costa sorria sempre que conseguia, sob pressão dos seus parceiros de esquerda, reverter as medidas adoptadas pelo governo anterior em cumprimento do memorando da tróica, quando repunha os cortes em salários e pensões (não para todos!) e sorria e tinha consigo os beneficiários da sua governação, que imitavam o seu sorriso. Portugal e o Mundo estavam deslumbrados com a geringonça e o bom relacionamento entre o Presidente da República e o primeiro-ministro e Costa exibia sorrisos em Portugal, em França, na Alemanha, na Índia e até na China.

Mesmo depois de os incêndios terem espalhado a destruição e a morte em dimensões nunca antes imaginadas, Costa ainda sorria e ia de férias, exibindo por esse mundo fora o seu sorriso encantador. Quando desapareceram as armas dos paióis do Exército, Costa rapidamente superou a gravidade do acontecido e recuperou o seu sorriso patriótico, generoso e solidário. Quando os incêndios voltaram e provocaram mais mortes e um lastro indescritível de destruição e dor, Costa declara, confiante e sorridente, que não demite a ministra da Administração Interna, escusa-se com as condições climatéricas anormais e segue para a reunião do Conselho Europeu em Bruxelas. Chamado à pedra pelo Presidente da República, Costa ainda ensaia mais alguns sorrisos disfarçados durante uma infeliz comunicação ao País, em que abandona as culpas do governo à sua sorte, em vez de as assumir, como seu mais alto responsável. Depois disso, verificou-se uma curta suspensão nos sorrisos de Costa, mas estes voltaram com a aprovação irresponsável do Orçamento do Estado para 2018 e a pomposa inauguração do novo Terminal de Cruzeiros de Lisboa.

Quando Costa já não tiver vontade de sorrir e o povo, em vez de sorrir com ele, perceber que voltou a ser enganado, um novo governo responsável, de cara séria, terá de enfrentar a crise…

  1. Epílogo

Os políticos que assim sorriem são os mesmos que, num lamentável exercício de hipocrisia pública, apregoam incessantemente: “Para nós, primeiro estão as pessoas”. Esquecem-se do efeito cruel que os seus sorrisos causam naquelas “pessoas” que perderam os seus familiares e amigos nos incêndios deste ano trágico, que viram destruídas as suas casas e haveres, que perderam o fruto de tantos anos de trabalho e de enormes sacrifícios; naqueles que estão desempregados; naqueles dois milhões de portugueses que ainda vivem abaixo do limiar da pobreza; naquele batalhão de pessoas que trabalham no duro para obterem um magro salário de subsistência e todos os dias enfrentam os efeitos do calor, do frio ou da chuva e a incomodidade e perda de tempo para chegarem aos seus empregos. Todas essas pessoas, e muitas outras, sentem-se injuriadas com o sorriso dos políticos, quando apenas têm razões para estarem tristes e, quiçá, para chorar.

 

P.S. Num próximo artigo talvez escreva sobre um sorriso, de inspiração socialista, que, aqui na Madeira, parece estar a encantar/enganar muita gente…

 

publicado por domaràserra às 10:53
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