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Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

Desonestidade intelectual

Artigo de Opinião

publicado em 6 de Setembro de 2009

in "Jornal da Madeira"

 

 

 

1. O maniqueísmo de Sócrates

A distinção entre bons e maus, fiéis e infiéis, crentes e não crentes, embora específica dos credos religiosos, é um instrumento de que certos políticos e organizações indevidamente se apropriaram e de que não prescindem. Foi assim no tempo do Império Romano, com a separação entre pagãos e cristãos; com a Inquisição, que lançava à fogueira todos os que tinha por hereges; com o Marquês de Pombal, que expulsou os jesuítas de Portugal e do Brasil; com o regime de Salazar, em que aqueles que combatessem ou pusessem em causa a doutrina do Estado Novo eram perseguidos pela PIDE. Foi assim com os revolucionários do 25 de Abril, que distinguiram entre progressistas e reaccionários, reservando para estes os mandados de captura assinados em branco ou um destino colectivo na Praça de Touros do Campo Pequeno. A própria distinção entre esquerda e direita, embora mais do que ultrapassada, surgiu inspirada na mesma lógica.

É neste contexto maniqueísta que deve ser visto o comportamento de José Sócrates. Sobre as chamadas “questões fracturantes”, Sócrates quer fazer crer que ele, por defender o casamento gay, a liberalização do aborto e do consumo de droga, a eutanásia, a fragilização do vínculo conjugal, é moderno e que quem pensa de modo diferente é retrógrado e antiquado. Que quem defende as soluções ditas progressistas é de esquerda, quem se lhes opõe é de direita, é reaccionário. Em tudo isto, são evidentes tiques de autoritarismo e uma enorme desonestidade intelectual. Acresce que Sócrates fala e actua como se todos nós fossemos parvos ou mentecaptos, atitude que tem subjacente um sobranceiro desprezo pelos portugueses, quer pelos que o apoiam, quer pelos que o criticam. Vejamos alguns exemplos, que são, aliás, do conhecimento público.  

  

2. Pacto de Justiça

Sócrates continua a acusar o PSD de ter violado o Pacto de Justiça celebrado entre socialistas e social-democratas no decurso da legislatura que ora finda. E fá-lo com ar sério e zangado, dizendo que os pactos são para cumprir e lançando um juízo ético negativo sobre os que os rompem unilateralmente, isto é, sobre o PSD. Ora, Sócrates, apesar de não ser jurista, tem obrigação de saber uma coisa que, sendo jurídica, é também do senso comum: um pacto ou um contrato pode ser unilateralmente denunciado ou incumprido, quando ocorra justa causa. Ora, Sócrates sabe isto e sabe, ainda, que o PSD deixou de observar o Pacto porque o PS não o cumpriu em relação ao novo Mapa Judiciário, matéria considerada essencial por ambas as partes. Sócrates sabe tudo isso, mas, fingindo que não sabe, continua a acusar o PSD de ter violado o Pacto de Justiça. A este comportamento do primeiro-ministro chama-se desonestidade intelectual.

 

 3. Provedor de Justiça

Sócrates tentou convencer os portugueses de que o arrastamento da indigitação do novo Provedor de Justiça era imputável ao PSD. Mas Sócrates sabe, como ninguém, que foi ele o responsável por esse arrastamento, já que fez tudo para ser escolhido um candidato a Provedor de Justiça afecto ao PS, violando assim entendimentos que surgiram e perduraram pacificamente entre os dois maiores partidos portugueses no tempo dos seus antecessores na liderança do Partido Socialista. Sócrates não só fez tábua rasa desses entendimentos, como quebrou o dever (ético) de sigilo em que decorriam as negociações, revelando malevolamente o nome do candidato proposto pelo PS, Jorge Miranda. Apesar de tudo isto, que corresponde à verdade, Sócrates tentou sempre passar a ideia de que a responsabilidade no impasse era do PSD. A este comportamento do primeiro-ministro, secretário-geral do PS, chama-se, além de outras coisas, desonestidade intelectual.

 

4. Privatização da segurança social

No passado e bem recentemente, Sócrates tem esgrimido contra o PSD a acusação de que este Partido defende a privatização da segurança social e de que, se fosse governo, se apressaria a pô-la em prática. Disse-o a propósito da proposta de lei do PSD sobre o novo regime de segurança social e di-lo, agora, a propósito do Programa Eleitoral do PSD. Mas Sócrates sabe que o PSD nunca fez tal proposta, nem em sede legislativa, nem no seu Programa Eleitoral. E continua a dizer o mesmo, acrescentando que o PSD propõe o “plafonamento” das pensões e que pretende sujeitar o dinheiro das contribuições às incertezas e à especulação do mercado de capitais. Ora, Sócrates sabe que plafonamento não quer dizer privatização; sabe que a própria lei aprovada pela maioria PS prevê o plafonamento; e sabe também que o seu governo fez e faz aplicações financeiras com o dinheiro da segurança social, como ficou evidente quando da privatização do BPN, banco onde a Segurança Social tinha depósitos de centenas de milhões de euros. A este comportamento do primeiro-ministro chama-se desonestidade intelectual.

 

5. O fim do casamento é a procriação

Sócrates é um habilidoso a distorcer e deturpar o que os outros dizem. Ainda recentemente, em Torres Vedras, numa acção de campanha para jovens socialistas, e na ainda mais recente entrevista à RTP1, Sócrates voltou a acusar Manuela Ferreira Leite, pela enésima vez, de defender que o fim do casamento é a procriação, daí retirando a conclusão de que hoje já ninguém defende uma coisa dessas e que, portanto, Manuela Ferreira Leite é antiquada e retrógrada. Ora, Sócrates sabe muito bem que Manuela Ferreira Leite nunca fez tal afirmação, nunca defendeu tal coisa. O que se passou é que, quando perguntada sobre o casamento de homossexuais, Manuela Ferreira Leite disse que era contra a equiparação de tal união ao casamento heterossexual, entre outras razões, porque a protecção dada à família era concedida em atenção à sua função procriadora. Como se vê esta posição nada tem a ver com o cânone do Direito Canónico que, legitimamente, numa perspectiva cristã, aponta, entre os fins do casamento, a procriação e o completamento mútuo de ambos os cônjuges. Sócrates sabe isso muito bem, mas não tem qualquer escrúpulo em desvirtuar a declaração de Manuela Ferreira Leite, imputando-lhe o que ela nunca disse, apenas com o intuito de obter ganhos eleitorais. A este comportamento de José Sócrates chama-se desonestidade intelectual.

 

6. Obras megalómanas e trabalhadores migrantes

Este é talvez o exemplo extremo da desonestidade intelectual de José Sócrates. Perguntada se os grandes investimentos públicos não iriam favorecer o emprego (tal como é proclamado por Sócrates), Manuela Ferreira Leite exclamou: “Não. Só se for dos cabo-verdianos e dos ucranianos!”. Crime de lesa pátria, xenófoba, discriminatória, insensível, logo bradaram Sócrates, o indefectível Augusto Santos Silva, os comentadores e analistas de serviço e. até, uma ou duas associações de imigrantes instrumentalizadas pelo Partido Socialista. E os noticiários repetiram-no “ad nauseam” e, ainda hoje, Sócrates continua a invectivar a líder do PSD por tal exclamação. Pasme-se! Sócrates sabe que o que estava em causa na exclamação de Ferreira Leite não é nada de xenófobo, nem de menos consideração pelo contributo da mão-de-obra migrante no nosso País, que o PSD reconhece e reiteradamente, no governo ou na oposição, sempre tem testemunhado. Sócrates sabe que Manuela Ferreira Leite, como líder responsável e não demagógica, não pode deixar de privilegiar o investimento naqueles sectores geradores de empregos para os cidadãos nacionais, nomeadamente na situação de grave crise económica e financeira que flagela a grande maioria da população portuguesa. Sócrates sabe tudo isso, Sócrates não pode deixar de ter consciência de que faz utilização abusiva de uma declaração de Manuela Ferreira Leite, descontextualizada, só porque pensa que, politicamente, isso poderá ser-lhe favorável. A este comportamento do primeiro-ministro chama-se desonestidade intelectual. 

  

7. Conclusão

 Se o leitor ainda tinha alguma dúvida sobre a personagem que ocupa (mas não exerce…) o cargo de primeiro-ministro de Portugal, espero que tenha ficado esclarecido. 

publicado por domaràserra às 10:40
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