O nome do blog é retirado de uma estrofe do Hino da Madeira, o que indicia, desde logo, a minha matriz política de origem madeirense.

.posts recentes

. RUI RIO FADADO PARA VENCE...

. PERFIL DO NOVO LÍDER DO P...

. O SORRISO DOS POLÍTICOS (...

. O SORRISO DOS POLÍTICOS (...

. ZONA FRANCA – “AUTOEUROPA...

. HELICÓPTEROS “CLANDESTINO...

. OS PROCESSOS INCONCLUSIVO...

. PARA ONDE NOS LEVA O GOVE...

. UMA NOVA OBRA DE MISERICÓ...

. ANDAR A PÉ…

.arquivos

. Março 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Maio 2017

. Março 2017

. Janeiro 2017

. Novembro 2016

. Setembro 2016

. Julho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Setembro 2015

. Maio 2015

. Fevereiro 2015

. Julho 2014

. Maio 2014

. Dezembro 2013

. Junho 2013

. Abril 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Julho 2012

. Maio 2012

. Março 2012

. Novembro 2011

. Setembro 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Março 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Maio 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Junho 2009

. Abril 2009

. Março 2009

Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011

CRÓNICA PARLAMENTAR (23)

Publicada no Jornal da Madeira, na edição de 6 de Janeiro de 2011 

 

 

1.      Visita de trabalho a Omã

 

Estive recentemente em Muscat, capital de Omã, integrado numa visita de trabalho do Grupo Especial para o Mediterrâneo e Médio Oriente, estrutura pertencente à Assembleia Parlamentar da NATO. Em dois dias, foi possível estabelecer contactos com parlamentares omanos, membros do governo, universidades, personalidades ligadas ao mundo da cultura, defesa do ambiente, promoção do turismo, e também com jornalistas. Fiquei, assim, com uma ideia sobre a realidade política, cultural, económica e social do país. Para se compreender essa realidade é preciso ter presente o contexto geoestratégico e económico em que se insere o pequeno país de três milhões de habitantes (cerca de 24% de estrangeiros) e 309 500 Km2. O Sultanato de Omã goza de uma situação estratégica excepcional na medida em que partilha com o Irão o Estreito de Ormuz, que dá acesso ao Golfo Pérsico, é a fachada da península arábica sobre o Oceano Índico, virada para a Ásia e para a África. Faz fronteira terrestre com o Iémen e a Arábia Saudita e tem como vizinhos mais próximos a Índia e o Irão. Trata-se de um país produtor de petróleo, desenvolve o turismo – que acredita poder vir a ser alternativa ao petróleo, quando, dentro de duas décadas, este se esgotar -, tem fortes preocupações ambientais e utiliza uma abundante mão-de-obra imigrada. Orgulha-se da sua estabilidade política, aliás, assegurada por uma governação esclarecida do Sultão Qabous Bin Said, que celebrou em 2010 o quadragésimo aniversário da sua entronização. Faz assentar a sua política externa no diálogo e na construção da paz e, embora assumindo a sua condição de país árabe, procura manter uma postura neutral, chamando a si o papel de árbitro nos conflitos regionais, incluindo o conflito israelo-palestiniano. Resta, apenas, acrescentar que Omã, então Emirato, foi invadido pelos portugueses em 1508, que detiveram o território até 1659, ano em que os otomanos o conquistaram. Na zona histórica da capital, ainda permanecem, sobranceiros ao Palácio do Sultão, dois fortes construídos pelos portugueses.

 

2.      Presidenciais

 

A campanha para as próximas eleições presidenciais já está na rua e os indícios até agora recolhidos, nomeadamente nos debates televisivos que entretanto ocorreram, não auguram nada de bom. Não sei se embaladas pelas comemorações do centenário da República, as personalidades que apoiam os candidatos auto-intitulados “de esquerda” e os próprios candidatos optaram por um discurso radical, feito de fantasmas e até mesmo de insultos, mentiras e insinuações, que nos transportam para os tempos conturbados da 1ª República, que se seguiram ao 5 de Outubro de 1910, sob a batuta do PRP e do seu mais destacado líder, Afonso Costa. Os candidatos “de esquerda” em vez de se aterem à discussão das questões políticas que são adequadas a uma campanha deste tipo – poderes presidenciais, magistratura de influência, cooperação institucional, desígnios nacionais -, conjugam esforços para denegrir a imagem e prestígio do candidato que todas as sondagens apresentam como vencedor à primeira volta. Aliás, numa demonstração de grande incoerência, pois são os mesmos que, quando o primeiro-ministro era atacado por ter feito um curso superior “sui generis”, por ilegalidades cometidas na aprovação de projectos de obras particulares, ou por suspeitas de envolvimento no caso Freeport ou no caso Face Oculta, falaram de assassinato de carácter e de ausência de argumentos políticos para o destronar. Dois pesos, duas medidas! Chamar à colação os dizeres da ficha de Cavaco Silva na DGS (PIDE), ou insinuar o seu envolvimento no caso BPN, corresponde ao método de actuação da polícia política do tempo de Estaline, que consistia “em raspar a inocência até aparecer a culpa”… e que condenou milhões de inocentes a uma morte lenta nos campos de concentração (nos “gulags”). Jamais imaginei que pessoas com responsabilidades políticas, que se sentam comigo no hemiciclo da Assembleia da República, com quem convivi ou convivo diariamente, que se reivindicam da democracia e do Estado de Direito, fossem capazes de descer a um nível tão baixo, de mentira e de calúnia. Para se compreender a dureza dos ataques desferidos contra Cavaco Silva é preciso saber o que está em causa nestas eleições presidenciais e já esteve presente na anterior eleição. Trata-se de um confronto entre o país que se reivindica dos valores cristãos, do exercício da política baseado em princípios éticos e não apenas na lei, e aqueles que ancoram a sua intervenção política em clichés e esquemas meramente formais e em directrizes emanadas de associações secretas, para quem, no jogo de interesses que as movem, a conquista da mais alta magistratura do Estado é uma questão de vida ou de morte. É pena que até os mais altos responsáveis da Igreja Católica não vejam ou não queiram ver o que está verdadeiramente em causa e se refugiem em posições ambíguas ou de pseudo-distanciamento, para já não falar daqueles que invocam o facto de o Presidente não ter vetado a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo para lançarem a dúvida sobre as convicções, princípios e valores que pautam a conduta pública e privada do candidato Cavaco Silva. O que está verdadeiramente em causa nas eleições do dia 23 de Janeiro são duas concepções de vida completamente distintas, são duas formas diferentes de encarar a política e a realização do bem comum. Tenho a certeza de que os portugueses saberão fazer a distinção e que não se deixarão enganar.

 

3.      A psicose da laicidade do Estado

 

Um dos dogmas da impropriamente chamada “ética republicana” é a laicidade do Estado, a absoluta separação entre a Igreja e o Estado. Apesar do dogmatismo jacobino, basta olhar o mundo à nossa volta para lucidamente nos apercebermos do relativismo das coisas. Veja-se, por exemplo, o que se passa no Reino Unido, onde o monarca é coroado na Abadia de Westminster e detém a chefia da Igreja Anglicana, ou nos Estados Unidos da América, onde os discursos dos presidentes sobre o Estado da União se iniciam tradicionalmente com uma citação da Bíblia. Mas em Portugal, neste farol do mundo, é considerado um “sacrilégio laico” tudo o que possa evocar ou confundir-se com símbolos religiosos. Primeiro, foi a eliminação da opção entre jurar “por Deus” ou “pela honra”, depois foi a “expulsão” dos crucifixos de todos os lugares públicos, nomeadamente das escolas, e as restrições postas ao ensino da Moral e da Religião na escola pública e, agora, neste Natal (aliás, como já acontecia nos anteriores, embora de forma menos orquestrada), o Presidente da Assembleia da República, o primeiro-ministro, os membros do governo e outros entes públicos encomendaram cartões de Boas Festas expurgados de todo e qualquer símbolo religioso e da referência à palavra “Natal”. E o presidente da Câmara de Lisboa, afinando pelo mesmo diapasão, impôs regra idêntica em relação às iluminações da baixa lisboeta tradicionais da época natalícia, pretendendo fazer esquecer a matriz cristã do Natal. Como vêem, as tais organizações secretas, de que lhes falava há pouco, têm mesmo muita força. Esquecem-se, porém, de que a mensagem de Natal é eterna. Eles passarão, ela permanecerá para sempre.

 

Errata: Na Crónica anterior (22), publicada na edição do dia 13.11.2010, no ponto 3, referente ao convívio na Casa da Madeira em Lisboa, onde se lê, no § 2º, “politicidade” deve ler-se “apoliticidade”. Tratou-se de um manifesto lapso de impressão, que teve como consequência afirmar exactamente o contrário do que eu queria dizer e decorria, aliás, do contexto.

publicado por domaràserra às 18:16
link do post | comentar | favorito

.Manuel Correia de Jesus

.pesquisar

 

.Março 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
27
28
29
30
31
blogs SAPO

.subscrever feeds