O nome do blog é retirado de uma estrofe do Hino da Madeira, o que indicia, desde logo, a minha matriz política de origem madeirense.

.posts recentes

. RUI RIO FADADO PARA VENCE...

. PERFIL DO NOVO LÍDER DO P...

. O SORRISO DOS POLÍTICOS (...

. O SORRISO DOS POLÍTICOS (...

. ZONA FRANCA – “AUTOEUROPA...

. HELICÓPTEROS “CLANDESTINO...

. OS PROCESSOS INCONCLUSIVO...

. PARA ONDE NOS LEVA O GOVE...

. UMA NOVA OBRA DE MISERICÓ...

. ANDAR A PÉ…

.arquivos

. Março 2018

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Maio 2017

. Março 2017

. Janeiro 2017

. Novembro 2016

. Setembro 2016

. Julho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Setembro 2015

. Maio 2015

. Fevereiro 2015

. Julho 2014

. Maio 2014

. Dezembro 2013

. Junho 2013

. Abril 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Julho 2012

. Maio 2012

. Março 2012

. Novembro 2011

. Setembro 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Março 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Maio 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Junho 2009

. Abril 2009

. Março 2009

Quarta-feira, 1 de Junho de 2011

A HERANÇA DE SÓCRATES (II)


Publicado na edição do Jornal da Madeira do dia 20 de Maio de 2011

 



A MODERNIDADE DE SÓCRATES

 

 

 

Um dos aspectos mais negativos da Herança de Sócrates é o que respeita às chamadas “causas fracturantes”, de que Sócrates tanto se orgulha e que, segundo o próprio, seriam uma exigência de modernidade e progresso, uma espécie de libertação da sociedade portuguesa das trevas herdadas do passado. Recordemos, então, o seu legado neste domínio. 

Sócrates começou por alterar a lei do divórcio, simplificando-o ao ponto de o vínculo matrimonial se tornar mais ténue do que um contrato de prestação de serviços a recibos verdes. Acabou com a distinção entre divórcio litigioso e divórcio por mútuo consentimento, embora mantendo o elenco dos deveres conjugais que constava do Código Civil, cuja violação deixou de ser passível de qualquer sanção e se transformou apenas num mero rol de recomendações, sem qualquer eficácia prática. Esta alteração traduziu-se numa desprotecção do elo mais fraco do casal e numa espécie de recompensa para o cônjuge prevaricador. Além disso, limitou os poderes do juiz em matéria de regulação do poder paternal, retirando-lhe o poder de suprir a vontade dos pais, quando estes não cheguem a acordo. Acabou com todos os mecanismos de ponderação e de responsabilização quanto à tomada da decisão de um ou os dois cônjuges recorrerem ao divórcio. Assim, fragilizou irresponsavelmente o vínculo conjugal e deu uma machadada de morte na estabilidade da instituição familiar. 

Sob a capa da despenalização do aborto e com base em argumentos e dados estatísticos falaciosos, Sócrates levou a cabo uma completa liberalização do aborto, transformando-o num verdadeiro expediente contraceptivo à custa do erário público. Prometeu que, na regulamentação da lei, seriam tomadas medidas com vista a evitar, sempre que possível, a interrupção da gravidez, nomeadamente através do estabelecimento de um período de reflexão devidamente acompanhado por um médico, mas nada disso foi consagrado em termos adequados e, na prática, o aborto tornou-se verdadeiramente livre, com todas as consequências aos níveis da defesa da vida, do preenchimento do nosso défice demográfico e da organização e custos do Serviço Nacional de Saúde. Sócrates foi mesmo ao ponto de atribuir um subsídio de maternidade por cada aborto efectuado…

No seguimento da agenda fracturante de Sócrates, veio depois o casamento entre pessoas do mesmo sexo, medida considerada inadiável face à inadmissível discriminação de que os homossexuais eram vítimas na ordem jurídica portuguesa…, segundo ele, violadora do princípio constitucional da igualdade. Curiosamente, aqueles que professam ideologias de esquerda e que toda a vida consideraram o casamento uma instituição burguesa e reaccionária, que deveria ser extinta, apareceram a defender acerrimamente o casamento homossexual como o expediente perfeito para “libertar a comunidade gay da opressão capitalista”! Baseados nas ambiguidades da nossa lei fundamental e na não menos ambígua jurisprudência do Tribunal Constitucional, criaram uma nova ficção legal, ou seja, que uma união entre duas pessoas do mesmo sexo poderia ser considerada um casamento. E, assim, realidades diferentes passaram a ser tratadas da mesma maneira, aqui, sim, em clara violação do princípio da igualdade que manda tratar do mesmo modo o que é igual e a tratar de modo diferente o que é diferente. De nada valeu o PSD apresentar um projecto que resolvia o problema através da “união civil registada”, aliás de acordo com a solução consagrada na grande maioria dos países membros da União Europeia, nem o veto do Presidente da República. A esquerda só tinha um objectivo: afrontar o núcleo essencial do conceito de casamento e, por essa via, mais uma vez pôr em causa a própria Família. 


 

A culminar a senha modernizadora de Sócrates, surgiu, à pressa e sem a necessária ponderação, a lei sobre os transexuais, ou seja aqueles a quem “seja diagnosticada perturbação de identidade de género”. Também a este respeito, o PSD tentou refrear o ímpeto iconoclasta de Sócrates, vários especialistas pronunciaram-se por soluções mais exigentes e seguras, o Presidente da República vetou o Decreto da Assembleia da República, chamando a atenção para as suas vulnerabilidades e deficiências, mas nada conseguiu deter a cruzada da esquerda contra o edifício de princípios e valores que, tendo em conta o respeito da pessoa humana, procura dar uma resposta adequada aos seus anseios e problemas. Apesar de todos os avisos e das chamadas de atenção, apesar da solução alternativa apresentada pelo PSD, a esquerda aprovou uma lei que permite uma “mudança burocrática de sexo”, sem o mínimo de garantias. A lei é tão aberrante que o “novo homem” ou a “nova mulher” podem continuar a exibir os genitais do sexo anterior. É de pasmar, mas é verdade! E quanto à sorte do cônjuge do transexual que muda de sexo, caso este seja casado, a lei é simplesmente omissa…

Sócrates fez tudo isto menos por convicção do que por tacticismo. Esta era a agenda com que pensava cativar votos à esquerda. Por isso não hesitou em hostilizar os sentimentos da grande maioria dos portugueses e a levar a cabo este processo criminoso de destruição de valores e princípios. Mas a agenda ainda não está completa: faltam a adopção por casais homossexuais e a eutanásia. Por isso, também por isso, ele se recandidatou. Se não quer que isso aconteça, se quer que algumas destas aberrações sejam corrigidas na próxima legislatura, repudie a “Herança de Sócrates”, através do seu voto, no dia 5 de Junho. 

 


Afinal, a modernidade de Sócrates não é mais do que uma espécie de regresso a Sodoma e Gomorra…

publicado por domaràserra às 10:36
link do post | comentar | favorito

.Manuel Correia de Jesus

.pesquisar

 

.Março 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
27
28
29
30
31
blogs SAPO

.subscrever feeds